Festival do Parque
Evento
Conceito e grafismo de festival de música prospectivo
Trabalho colaborativo com a Marta Almeida
● O desafio deste projecto, a ser desenvolvido por um designer de ambientes e dois designers gráficos, centrava-se em elaborar uma ideia para um festival de música — de Verão — destinado a acontecer no Parque D. Carlos I das Caldas da Rainha. Portanto: criar uma marca e planear gráfica e espacialmente a sua primeira edição. No nosso entendimento, a resposta deveria ser o mais específica possível, própria para este parque e irrepetível noutro sítio qualquer.
● Depois de anos a viver nas Caldas e a passar diariamente pelo Parque D. Carlos, este é o momento da primeira observação atenta do recinto. Interessa-nos imediatamente a variedade estupenda, mesmo contraditória, das partes do parque, e dos elementos de cada parte: de vegetação, de espaços de lazer e sugestões de experiências, de estátuas, vasos, e uma série de outros artefactos... claramente indicadores de décadas e décadas de história, e do contributo, mais ou menos propositado, de muita gente. É um parque romântico, em tempos bem frequentado pela burguesia chique que rumava às termas.
1. O nome
Festival do Parque é absolutamente descritivo, logo nada pretensioso ou partidário. Acreditamos, no que diz respeito à designação, que a maneira de abraçar a diversidade de registos do festival é a simplicidade. É directo: é um festival que ocorre num parque.
Com o desígnio de concorrer directamente com outros grandes festivais de Verão, a sua celebridade pode trazer ao Parque D. Carlos a conotação de O parque de Portugal. Memorizável, tanto o festival, como o parque.
Parque por si só já subentende a ideia de contacto com a natureza, de passeio, de lazer, também pode sugerir um espaço de entretenimento, diversões. Entende-se parque como recinto destinado a uma grande variedade de actividades.

2. Referências gráficas
Ao longo da extensão do parque, distribui-se uma colecção valiosa de escultura. As peças pertencem a momentos da história da arte muito diversos, tal como os estilos da figuração, e conferem ao parque uma espécie de aura humanista, poética, até boémia, um pouco como se cada obra encerrasse uma parte da alma do parque, ou a colecção toda fosse um clube de mascotes assombradas. Registámo-las todas.
E claro, uma flora generosamente variada, que deu num herbário.
Por outro lado, a herança cultural das Caldas da Rainha é, até internacionalmente, demasiado importante. (E para mim o Rafael Bordalo Pinheiro é deus.) Pois, Bordalo: interessa? como fugir ao cliché? onde se cruza a identidade do festival com a bordalada? Talvez fosse irrealista pensar o projecto sem passar por aqui.
3. Letreiro/Logótipo












Mesmo encostado ao parque, permanece ali bastante escondido o edifício que reza FAIANÇAS ARTISTICAS – FABRICA BORDALLO PINHEIRO na fachada. Confirmámos com a directora de arte que o letreiro da sua estimada fábrica é da autoria do próprio Bordalo Pinheiro. Não nos foi facultado o molde das letras (muito provavelmente porque não existe, mas não foram claros connosco), construídas através da junção de peças de cerâmica modulares, o que atribui um certo rigor ao letreiro insólito. Bem, fotografámos de maneira a ficar a entender o suficiente sobre as peças para, segundo a mesma lógica, as desenhar digitalmente e desenvolver as letras em falta nas palavras FESTIVAL DO PARQUE.
Ora, agora já temos o nível de Bordalo mínimo permitido por lei! Acrescentámos ao letreiro o logótipo da marca Sagres de forma a simular o realismo da proposta (optámos pela versão anterior à contemporânea de 2013), de modo a funcionar como naming partner.
4. Pictogramas
Os pictogramas foram construídos inteiramente a partir das letras de Bordalo Pinheiro, tendo sido depois ajustado o peso das suas peças, de forma a garantir alguma uniformidade.
5. Materiais de comunicação diversos


6.1 Campanha, Parte I
A campanha publicitária do FESTIVAL DO PARQUE comporta dois momentos. O primeiro pretende encetar o contacto entre a marca e o público. Se imaginarmos que o evento ocorre em Agosto, a primeira fase começa no fim do ano anterior para apanhar o Natal, e pode durar até Maio. Consiste principalmente no surgimento pontual de anúncios com as confirmações do alinhamento que vão chegando à produção do evento.
6.2 Campanha, Parte II
O apelo do FESTIVAL DO PARQUE não pretende chegar a um só tipo de público. O seu programa é estilisticamente variado, o espaço idem, e para celebrar a diversidade e comunicar com cada "tribo", desenhámos versões do cartaz com estilos gráficos diferentes que devem funcionar em simultâneo. Não temos receio que a imagem do festival seja confundida, ou que deixe pessoas a questionar-se se BB King virá duas vezes a Portugal no mesmo ano. Não achamos que a nossa imagem perca força pela sua incapacidade de se tornar fixa porque, e acima de tudo, é essa variedade o conceito-mãe de toda a marca do festival.





7. O bling-bling do FDP
A pinta do Tiago era do que a gente precisava para dar uma cara ao festival. Fizemos umas fotografias com o bling-bling personalizável do FESTIVAL DO PARQUE. A gente não chegou a fazer o alfabeto todo, e foi por isso que aqui o Tiago passou a ser o Silva.



