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Cornucópia Rebelde
2016
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Os Putos

Cornucópia Rebelde
2016

Identidade visual, escrita criativa, merchandise
Bar da night

          Os Putos são o Quico Neto, o Guilherme Cappelle e o Miguel Calheiros. Decidiram abrir um tasco da night no Mercado 2 de Maio, no centro histórico de Viseu. Fui convidado para conceber a identidade gráfica do espaço, que contaria com a arquitectura da Matilde Mata. Já tinham em mente a designação «os putos»: todos na casa dos vinte e poucos, todos na universidade. A primeira coisa de que os tentei convencer — e a única que não consegui — foi chamarem ao sítio de «bar dos putos». Gosto de designações ultra-directas: era assim que viria a ser chamado por toda a gente, mais valia assumi-lo, até porque com redes sociais e hashtags na calha, era bom convergir tudo. Ficou «os putos», tudo bem.

          A marca eram eles, primeiro ponto. São tipos muito comunicativos e calorosos, e funcionam como um power trio: cada um sabe fazer uma coisa muito bem feita. Depois, como disse atrás, «os putos» porque são os mais novos no negócio por estas bandas, e porque não deixariam de piscar o olho a um segmento essencial naquela zona: os adolescentes do liceu e as primeiras bebedeiras. A seguir, «os putos» enquanto espírito multi-geracional: sair à noite é coisa de puto, tenha-se a idade que se tenha. É curioso, o nome surgiu-lhes justamente do poema do fado que o Carlos do Carmo eternizou. Aliás: até me assustou um bocadinho, mas essa referência teria de ficar plasmada algures.

Mercado 2M by night

Os bares do Mercado 2 de Maio ocupavam áreas diminutas, na edificação do Siza Vieira (entretanto destroçada), e funcionavam muito bem sobretudo no Verão: o espaço de que cada bar ocupa é essencialmente a área exterior que lhe é imediata, na praça de que todos comungam, muito dinamizada por actividades culturais e económicas.

Logótipo

Ora bem, o meu raciocínio: deixa cá fazer uma marca que traga o espírito teenager, histriónico, qualquer coisa do kitsch de agora; meter na panela e "recauchutar" a ânsia marialva-chique pretendida (estou a pensar no fado) recorrendo ao punk. Lembrei-me de que “os putos” poderia muito bem ser uma rede social, de tal forma sofisticada que as pessoas se veriam umas às outras em três dimensões!, cara-a-cara, sentadas ao pé umas das outras, numa esplanada; tão avançada que até providenciaria tostas e cocktails. E o login seria tão simples como puxar da cadeira. O registo gráfico relaciona rede social e trabalhos manuais: recortes e papel amachucado.

Montra: porta 2

Alguns dos bonecos que fazem a identidade d’Os Putos são baseados em gente que esteve ligada ao projecto. Na primeira coluna: o Quico, o Guilherme e a Matilde. Na segunda: o Miguel, eu e o pai do Quico.

Manifesto

Manifesto

Quem é que em 2016, em pleno centro histórico de Viseu, ainda se aventura a abrir um bar? Isso é coisa de Putos. Confere.
Calhou de ser esse o desejo dos putos Guilherme, Miguel Maria, e Quico, um adorável bando de pardais à solta (como diz o poema) a quem o destino havia de perdoar a imprudência, e eis que Os Putos estão de pé para o provar.

Como em tempos aconteceu nas revolucionárias garagens e sótãos de Steve Jobs, Bill Gates e companhia, mas na variante tuga da esplanada, Os Putos reuniram todo o armamento criativo de que só quem padece desta inveterada jovialidade dispõe, e apontaram a mira directamente a Zuckerberg.
Toda a gente sabe que a ambição de Puto é planetária.
E é por isso que o resultado se aproxima mais de uma proposta de rede social absolutamente inovadora, tecnologicamente inultrapassável: um topo de gama em matéria de saídas.

Se não vejamos:
Os Putos são tão à frente que aqui o chat é cara-a-cara. Os vídeos engraçados não demoram a carregar e são em 3D, aliás, são nas dimensões todas que os sentidos permitirem. Quem é que ainda precisa de um ecrã? Também não é preciso ter rede ou internet, e se te faltar a bateria, basta pedir um cafézinho.
Tomara ao Zuckerberg servir tostas no Facebook!
Afastadas todas estas barreiras, sobra tempo e energia para a missão de qualquer esplanada solarenga: pôr as chatices em pausa e resgatar o que há de índio, de capitão de malta... de Puto! em toda a gente. E o login é só puxar de uma cadeira.

As montras do bar, tal como as dos restantes na praça, são duas portas de vidro (uma abre, a outra é janela). Decoradas a vinil branco.

Montras

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Ardósia na parede do balcão

Colecção de bases de copos Mais cás Mães: oportunidade para estender o conceito da rede social e dar vazão à bonecada toda; são uma espécie de páginas de perfil de 42 utilizadores mais ou menos ficcionados.

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